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Sombrias
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Morte
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| " Ó morte querida, esperada Tu és por mim a
mais desejada. Quero o teu único beijo, longo, fatal, Frio, cheio de
desejo. Venha me abraçar, em teus braços me envolver, De modo tal,
Que me liberte deste infindo padecer. Livra-me de tudo, ó Amada!
Conduza-me à paz eterna E indiferente existente no vazio do Nada.
Carrega-me contigo em teu alado corcel A voar através do céu. Quero
perder-me em tua escuridão Tão cheia de compaixão Sejas para mim a mãe
mais terna Que eu pudesse possuir. Deixa-me de meus pesadelos fugir.
E, das tristezas e desenganos da Vida Afasta-me, pois feliz não fui
Enquanto eu vivi. Venha, ó Morte, fiel companheira! Tu sim és a
amiga derradeira E não a Vida - aquela mentirosa! - Que faz promessas
enganosas E quando dela mais precisamos, Nos abandona à nossa própria
sorte. Te desejo tanto, Morte! Clamo por ti!... - Morte, onde estás? "
(30/10/95)
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Sem Inspiração |
| "Eu queria
"Eu queria escrever, expressar o que sentia, Tentei fazer uma poesia
Porém, no lugar dos versos está o vazio sombrio Do silêncio sepulcral
existente em meu ser. Tentei escrever, mas não há palavras Que traduzam
a dor que senti Quando percebi que não Mais consigo escrever. Essa
dor - tão intensa, horrenda e fria - Veio da certeza de que em meu coração
Não há mais poesia. E mesmo com tanto sentimento, Tanta dor e
emoção, Foi-se embora toda a minha inspiração. Só me restou o sofrimento
De não mais conseguir expressar O que sinto. Resta-me apenas o mudo
padecer. Minh'alma quer gritar E estou muda agora: A poesia foi-se
embora E levou consigo a magia De transformar em palavras as emoções.
Agora que perdi toda a poesia, Despedaçado está meu coração: Sem
poder escrever, perdi a razão de viver!"
(Thaís Drimel Andrade - 07/ 96)
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Quisera Eu |
| "Quisera eu
descrever aqui, Nestas pobres linhas, Tudo o que eu vivi e senti
Porém não consigo me expressar Nestes versos sem rimas. Só me resta
a dor, a muda dor Do vazio que cala meu ser.
Quisera eu poder gritar
E escrever aqui tudo o que sinto, No entanto, o papel ainda em branco
Zomba de mim E ri, em toda a sua alvura, Desta minha tortura Que
dilacera minh'alma muda.
Quisera eu não mais sofrer E aqui poder
escrever Tudo o que sinto E, através da poesia Acabar com o padecer
infindo Que tanto angustia O meu viver."
(Thaís Drimel Andrade -
19/09/96)
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Nada
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| "Não estou escrevendo nada ...Que seja digno
de atenção. Pois estas linhas mal escritas E de beleza desprovidas
Não poderiam causar jamais A alguém qualquer emoção. Estes versos
são palavras Amontoadas e nada mais, São uma verdadeira aberração
Nascida de minh'alma Desprovida de inspiração. Pois, em algum lugar,
Dentro do meu ser, A poesia deixou de viver. E agora, não sou mais
nada, Sou uma casa vazia Pois minh'alma, ao ver Que a poesia fugira,
Foi atrás de sua amada, Abandonando-me ao esquecimento Escuro e
amargo do Nada."
(Thaís Drimel Andrade - 08/09/ 97)
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Sem Razão |
| Não há razão Para poesias
escrever Quando não há inspiração Pois, para ser poesia de verdade
Não basta versos E rimas a poesia ter. É preciso que as palavras
Brotem do coração E demonstrem toda a emoção (Ou seria comoção?)
De quem as escreve.
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Noites Sombrias |
| "Nestas
noites sombrias, Com brisas maldosas e frias, O Mal está a espreitar,
Esperando apenas o momento de atacar Os corações desprotegidos
Daqueles que, sem nada suspeitar, Dormem, desprevenidos, Não sabendo
que o Mal há de vir E, que, sobre todos, a Maldição Das trevas sem fim
Há de recair. Pois esses são tempos de mudança E os ventos da
transformação Varrerão este mundo Que, de mudar, nunca se cansa. Já
é chegada a hora De mais uma verdade ser revelada A todo aquele que, com
honra e sabedoria, Houver usado o anel e a espada Do mago e guerreiro.
Pois, somente aquele que trilhou o verdadeiro Caminho da magia E
que, também como guerreiro, lutou, Poderá conhecer A verdadeira face
De Ísis que, das trevas, agora renasce, Tal qual a crescente Lua,
Completamente nua, Em todo o seu esplendor, Sem véu para os seus
segredos E mistérios encobrir..."
(Thaís Drimel Andrade - 07/11/97)
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Sem Esperança |
| É
preferível a Morte À uma Vida sem esperança. Pois, a primeira Ao
menos é verdadeira, Nossa derradeira e eterna companheira, Que, da paz,
é a última lembrança. A outra, é mera ilusão, Pois sem esperança no
coração, Temos uma pseudo-vida, Aliás, não possuímos nada, Pois,
aquele que, da vida, duvida, Já não vive, é uma casca vazia, abandonada.
É um fantasma, fingindo viver E ousando chamar sua farsa de vida.
Não existe Vida sem Amor Mas existe Amor sem dor; E, acredita, tu
recebes sempre aquilo O que mais mereceres E mereces tudo o que mais
desejares. Portanto, se és infeliz, Não culpes a Vida, mas apenas A
ti mesmo, pois és o único responsável Sobre tua Vida e tudo o que lhe
acontece. Não tenhas a ousadia de blasfemar contra a Vida, Quando tu és
o único errado. Se queres morrer, morre, mas não desdenhes Da Vida que
não soubeste viver e aproveitar. Tampouco culpes a mim, que apenas te digo
O que preferirias não escutar... (Thaís Drimel Andrade - 11/97)
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Descrença |
| Aquele que não acredita no amor
E crê somente na dor Exultando ao sofrer, E exaltando a sua dor ao
escrever Poesias em seu louvor, Cheias de fel, ódio, dores e pranto,
Sequer imagina o quanto De sua vida está desperdiçando, Pelo caminho
da Morte trilhando, Fazendo da escuridão o seu guia, Esquecendo-se por
completo da luz do dia, Ao amar apenas as horas mais sombrias. Muito há
de sofrer e mil vezes mil mortes Há de morrer e terríveis dores sentir
Aquele que assim viver, seduzido pela Maléfica magia de uma lua negra,
Que a nada ilumina e cujas trevas, Com promessas de profano poder
Corrompem e devoram as almas dos mais fracos.
(Thaís Drimel Andrade
- 11/97)
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Oração |
| "Ó DEUS que criastes o
Universo, Venho humildemente suplicar-Vos: Mudai este mundo tão vil e
cruel! Fazei o AMOR renascer nos corações Empedernidos dos Homens...
Devolvei a RAZÃO e a PAZ A esta tão insana Terra, Cujas nações estão
sempre em acirrada guerra. Não deixeis germinar a semente da Vingança,
Que tem por fruto a Desgraça. Trazei de novo o AMOR e o RESPEITO à VIDA
Aos corações dos Homens, Cujos filhos encontram a Morte Em frios e
solitários campos de batalha. Aliviai-nos do peso do Medo, Que nos
aprisiona dentro de muros e grades Em nossas próprias casas e cidades.
Protegei-nos da Violência Que ceifa vidas em nossos próprios lares.
Curai o câncer da Indiferença Que se espalha por toda a Terra.
Iluminai e dissipai a treva da Ignorância Que aprisiona nossas mentes e
almas. Acabai com a Hipocrisia e a Inveja Que a todos nós envenenam.
Arrancai todas as máscaras da humanidade, Para que a VERDADE prevaleça,
Sem o artifício da Falsidade. Purificai-nos da Corrupção Que destrói
nossa sociedade. Dai-nos a HUMILDADE necessária Para aprendermos com os
erros passados. Ó Deus, ainda Vos rogo: Perdoai os nossos numerosos
pecados, Não deixeis que erremos novamente, Mas, acima de tudo,
Libertai-nos do nosso próprio Mal..."
(06/1999)
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Deus
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| "Deus, onde estás Que não me ouves?
Estarei eu tão surda E cega para não te Ouvir nem ver? Deverei
fechar meus olhos E tapar meus ouvidos Para no Teu nada penetrar? A
tudo e a todos terei que renunciar Para poder Te encontrar? E, quando
isto acontecer, Irás meu pranto ouvir?"
(26/09/2000)
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Vazio
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"Meu corpo flutua no vazio do espaço Meu
espírito está livre, Meus olhos estão fechados Mas vejo através dos
mundos E ouço no silêncio todos os sons da Criação. Não mais estou viva,
Estou de volta ao Nada original No qual tudo foi gerado. Sinto o
pulsar da Vida, Cada vez mais distante, Enquanto aos poucos Minha
consciência se esvai e, Lentamente, torno-me Uma Com o Universo
novamente."
(09/2000)
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Fim
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"Vida, ó Vida, Hoje eu me despeço de ti.
Amei-te com todas as minhas forças E em todos os momentos, Mas, já
não consigo mais O teu fardo suportar... Sim, um fardo, pois, Se
antes eras a felicidade, Agora és um abominável. Meus dias são um
tormento, Já não agüento mais tanto sofrimento. Esta noite me libertarei
Desta existência que me aflige. Hoje encontrarei a tão sonhada paz,
Nos doces e frios lábios da morte, Que virá me abraçar Em meus
sonhos.... E, quando eu despertar, Já não mais aqui estarei, Todas
as lembranças más olvidarei, E de todas as prisões e limitações,
Finalmente, livre eu serei."
(2000)
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Deusa Negra |
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"Ó deusa negra,
Neste momento, me entrego a ti:
Beije meus lábios inertes
Enquanto a vida se esvai
E meu ser abandona este
Tão incômodo invólucro de carne,
Para que eu possa deixar de existir
E, à tua essência me fundir,
Ó deusa que trazes a morte,
Liberte-me do meu passado,
Bem como do presente e do futuro,
Pois não quero mais viver...
Anseio pela liberdade do vazio."
(18/02/2002)
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Destino |
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"Destino, ó Destino,
Por
que brincas comigo assim?
Fizeste de mim
Mero joguete em tuas mãos.
Fizeste-me crer que, finalmente
Havia encontrado aquele
Que seria o meu amado...
Destino, me prometeste uma vida
De ternura e bem-aventurança,
Para então destruíres minha ilusão,
Arrebatando de mim
Ate mesmo a ultima esperança
Que me restou, de, um dia, encontrar alguém....
Alguém a quem eu pudesse amar,
Alguém que pudesse me amar,
De verdade, por incontáveis eras...
Ó Destino, por que tens prazer
Em desiludir-me e destruir minhas quimeras?
Ó Destino, por te ris de mim?
Pois nas voltas sem fim
Que esta vida dá,me fazes buscar, encontrar,
Perder, reencontrar, desencontrar
E buscar novamente por aquele
A quem meu coração se entregará...
Ó Destino, por que, somente agora
Trazes-me alguém com promessas de amor?
Logo agora, nesta tão triste hora
Em que meu coração encontra-se cheio de dor?
Como poderá florescer o amor
Nas planícies devastadas e calcinadas do meu ser?
Serei capaz de enfrentar o medo de sofrer?
Serei digna do sentimento que ora inspiro em outrem?
Ó Destino, que queres mais uma vez pregar-me peças...
Saiba que, desta vez, não me encontraras desprevenida...
Não és mais o dono da minha vida.
Serei eu a lançar as cartas na mesa, e,
Ainda que eu me decepcione, a escolha e o caminho serão meus,
Ó Destino, não mais serão seus..."
(21/02/2002)
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Sem Motivo
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"Quero
escrever e me expressar,
mas não sei o que irei falar,
não sei o porquê de me sentir assim
tão triste, calada e sombria, enfim,
nesta noite escura e fria
contemplo a mim mesma,
nua e crua, à luz espectral da lua,
essa lua negra, violenta,
sanguinária, que a tudo devora.
Minh'alma tenta fugir
de sua ira, mas é tarde demais
não há esconderijo ou abrigo aonde eu possa ir,
sua sede de sangue é grande,
minha hora não demora.
A luz errante da lua negra me toca
e todo o meu ser se desmorona,
Tragado pela chama gélida
que a tudo consome e extingue."
(15/11/2002)
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Súcubus
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"Venha, renda-se a mim,
Ouça e atenda ao meu chamado,
Sinta o meu cheiro,
Pleno de luxuria e desejo
E entregue-se à fúria da paixão.
Não adianta lutar, você não pode negar
O desejo ardente em eu ser.
Não há como se esconder ou fugir,
Você quer me amar, adorar e possuir,
Mesmo sabendo que irá se destruir,
Mas não pode e não quer evitar
Este desejo incontrolável, indomável, de vir
E se entregar, para em meu fogo se consumir.
Por mais medo que você tenha
Nada impedirá que eu venha e lhe possua,
Inclusive você até com isso sonha,
Embora não seja capaz de admitir
Desejar me tocar, me possuir.
Mas eu virei suas fantasias obscuras realizar,
No meio de uma noite escura,
Surpreendendo você em seu leito,
Usando e abusando de seu corpo
Ao meu bel-prazer,
Os seus sonhos de pureza e candura
Transformados em lascivos turbilhões de pecado e luxuria.
E, em troca do seu êxtase, toda a sua energia beberei
Para o meu deleite profano.
Após saciar minha sede, lhe abandono,
Deixando-o a sós com sua dor e pesar,
Delirando e conjeturando se tudo foi mera loucura,
Ou se realmente eu o visitei,
Vampirizando e abusando do seu corpo mortal.
Mas, confesse o quanto você gostou, se deleitou
E se excitou ao desfrutar do prazer carnal
Com uma demônia tão temível e irresistível como eu.";
(19/11/2002)
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Lilith |
|
>
"Nas noites escuras e
frias,
quando tudo são trevas puras,
em tua casa penetrarei,
atravessando as grades da janela tua
sob a forma de uma sutil e inocente bruma,
para então materializar-me, deliciosamente nua,
sobre teu corpo inconsciente e dormente.
Podes acordar, te debater, tentar gritar,
Mas, advirto-lhe que será em vão,
Ninguém te ouvirá, nada te poupará
Da minha fúria ardente e paixão.
Com meus dentes e unhas, tuas roupas rasgarei
E sobre ti cavalgarei, em selvagem êxtase,
Meus lábios pálidos e frios se colando aos teus,
Sorvendo o néctar do teu calor,
Tuas mãos, resignadas em não poder lutar,
Meus seios acariciam, levadas pelo prazer
Que invade o teu ser.
As minhas unhas cravando-se em tuas costas,
Deixando um rastro rubro de sangue,
Já não mais te importas com a dor,
Não é mesmo, meu amor?
Nada mais te importa,
Medo, pecado, inferno, punição ou dor,
apenas o prazer que te dou
Em troca de algo tão ínfimo e sem valor:
Tua alma imortal.
Para quê ela serve, afinal?
Estás perdido dentro do meu corpo
De sedutora beleza que em nada lembra a angelical pureza,
Envolto em desejos e fantasias pecaminosas
Que eu realizo com toda presteza.
Teu ser pertence a mim agora,
Tua sanidade foi-se embora,
Estás preso em minha teia de lascívia,
Meu escravo e fiel servo para sempre serás
E saciar o meu desejo incontrolável tentarás.
Teu sangue, gozo e vitalidade me darás,
Assim como a tua alma, sem pestanejar.
Porém, quando não mais puderes me agradar,
De ti me vingarei, jogando fora tua casca mortal inútil e vazia,
Prendendo tua alma impura a grilhões de infinda tortura,
Pois destinado estás a sofrer por toda a eternidade
Nas profundezas abissais do inferno."
(19/11/2002)
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